“Um Lugar de Esperança e Vida”

CULTO DE ADORAÇÃO. Todo Domingo as 19 horas. “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122.1)

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL. Domingo as 09:00 horas da manhã.

CULTO DE ORAÇÃO. Toda Quarta as 19 horas.

Ouça a Bíblia

Agora você poderá ouvir a Bíblia em seu trabalho, casa, carro, celular, escola e onde mais você desejar.

Todos os 66 livros da Bíblia para ouvir on-line, ou fazer download.

 

 

Clique Aqui

Humildade e Oração

Por Cacau Marques

“Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança. Ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, desde agora e para sempre!
Salmos 131:1-3

O Salmo 131 destaca um elemento bastante presente nas páginas da Bíblia e estranhamente ausente dos púlpitos das igrejas contemporâneas: a relação entre humildade e Oração. As conquistas humanas das últimas décadas encheram nosso coração de soberba. Acreditamos que não haja problema algum que não possamos solucionar com nossa inteligência, força e tecnologia. Para cada dificuldade do cotidiano surgem diversos programas de computador, aparelhos eletrônicos e técnicas científicas que prometem facilitar a nossa vida.

Isso não é um problema, muito menos um pecado. Todos nós usufruímos dos avanços tecnológicos e celebramos as conquistas da ciência. Mas o deslumbramento causado pela confiança excessiva no progresso humano frequentemente nos engana, passando uma imagem de onipotência do homem que está longe de ser verdadeira. O homem frequentemente se esquece de seus limites. E, pior, muitas vezes só se lembra desses limites quando encara uma situação para a qual não tem a solução.

Muitos se voltam pra Deus nesse momento, no momento em que a esperança em suas próprias forças transforma-se em desespero completo. Aí pode já ser tarde. Ainda que para o Eterno Deus nunca seja “tarde demais”, o tempo de vida gasto no orgulho pode já ter deixado marcas ou consequências dolorosas.

Diante disso, o salmista recomenda outra atitude: a de criança no colo da mãe. Humildemente reconhecemos que somos dependentes do esforço materno de nos nutrir. Não temos coração orgulhoso ou olhos arrogantes, mas uma alma descansada, humilde e grata no colo de nosso Deus. Cumprimos assim o mandamento de Pedro que diz “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes. Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1 Pe 5:5b-7). Descansamos porque nos humilhamos. Confiamos porque reconhecemos que não somos capazes de alcançar a felicidade e a paz por nós mesmos.

Assim deve ser nossa oração. Quando nos aproximamos de Deus para pedir algo, não vamos como um trabalhador que quer sacar seu benefício na boca do caixa. Vamos como uma criança que é amamentada e que sabe que á amamentada por uma mãe amorosa. Vamos confiantes na misericórdia e Graça, humildes diante do Deus que “dá de graça todas as coisas” (Rm. 8:32). Por isso nos ajoelhamos para orar. Não porque o gesto fará nossa oração maior, mas porque ela nos lembrará de que somos menores.

A Política da Encarnação

Cacau Marques

Em sua epístola aos filipenses, o apóstolo Paulo brinda a humanidade com uma das mais profundas afirmações sobre a vinda de Cristo ao mundo: “[Cristo Jesus] embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens”. O propósito dessa mensagem, porém, não é nos contar o que acontecia no céu antes de Jesus descer. O objetivo de Paulo está evidente no início do parágrafo quando afirma: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus”.

O esvaziar-se é uma ordem dada a nós nesse texto. Obedecê-la é seguir o modelo de Cristo. Mas o texto parece confuso. Eu não sou Deus para não julgar que devo ser igual a Ele. Também não preciso tornar-me semelhante aos homens, já que sou homem. Como uma afirmação cristológica tão essencial se aplica à minha vida? A resposta para isso aparece um pouco antes ainda, no versículo 4: “Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.”

Aqui encontramos o princípio mestre da atuação da Igreja no mundo. Cada crente deve cuidar dos interesses dos outros, porque foi isso que Jesus Cristo fez. A Igreja não vive para si, não busca o enriquecimento material, o poder temporal ou o crescimento numérico. Ela busca o interesse dos outros, o cuidado com o bem estar do outro. Mesmo que não tenha ouro nem prata, ela oferece o próprio Cristo, pois é o que tem de melhor.

Assim, toda atuação da Igreja no mundo deve ser vista por essa ótica, por seguir o kenosis (esvaziamento) de Cristo por amor do outro. Essa é a razão pela qual o crente não pode se furtar a participar da busca por justiça social, ética política, pacificação urbana. Sua postura não pode ser egoísta, enchendo-se das promessas celestiais, apegando-se ao direito que temos de estar com Deus após a vida. A ética da encarnação cobra que eu, enquanto corpo de Cristo, me esvazie disso pelo bem do interesse do outro.

Mas a ética da encarnação ainda nos propõe outra verdade. É que o Verbo encarnado tomou forma humana, mas manteve a expressão da glória de unigênito do Deus Pai, como escreveu o apóstolo João. Da mesma forma, a atuação da Igreja no mundo deve expressar sua filiação em relação a Deus. Ela não atua no mundo pelos mesmos métodos dos partidos políticos, das ONGs, ou de um grupo de guerrilheiros. Ela deve carregar o padrão divino de atuação, mantendo seu compromisso com o amor e com a verdade.

Assim, a Igreja não deve apelar para as mentiras eleitoreiras, acusações levianas, ou demonização de políticos. Não deve comprar favores com bênçãos ou extorqui-los com ameaças escatológicas. Não pode impor sua vontade pela força, nem condenar a liberdade de expressão. Antes, ela deve voltar-se para as vozes dos que não são ouvidos, uma vez que Deus as ouve todos os dias.

Que tenhamos a atitude de Igreja de Cristo, que sendo herdeira de Deus não pensa que o morar com Deus seja algo a que deve apegar-se, antes, esvazia-se dos interesses individuais vindo a ser serva. E todos verão a sua Glória, Glória como dos filhos de Deus.

Igreja, um caso de amor

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

A igreja é fascinante. Ela difere de qualquer outra organização, por causa de seus fundamentos teológicos. Ela é “a única instituição do mundo que existe em favor dos que não são seus membros” (William Temple). Seu grande valor não é ela, mas seu Dono e as pessoas a quem ela se dirige. É o seu diferencial. A igreja que vive em função de si mesma perdeu sua substância. Aspectos culturais e sociológicos se sobrepuseram à teologia e a diminuíram. Um exemplo é a distorção chamada koinonite, que leva algumas a viverem em função de seus membros: “Você traz bolinho e eu trago chá”. Elas vivem em função de comunhão. Ensimesmam-se.

A igreja nasceu na eternidade, na mente de Deus: “Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo” (Ef 1.4). Entrou no tempo na pessoa de Jesus. Segue na história dirigida pelo Espírito Santo que lhe veio no dia de Pentecostes. Findos a história e o tempo, ela entrará na eternidade. Na eternidade haverá Deus e haverá salvos. Então haverá igreja. Nascida na eternidade, ela entrará na eternidade.

Há grupos sociais com rótulo de igreja: Igreja do Fogo Constante, Igreja Florzinha de Jesus, Igreja Jesus Vem e Você Fica, Igreja A Serpente de Moisés A Que Engoliu As Outras, Igreja Renovada do Povo Barulhento, etc. São estruturados sobre um líder humano, com uma visão parcial do evangelho. Ignoram a teologia, a história do cristianismo e pensam que o Reino de Deus começou com elas, como se nada houvesse antes. Com visão bíblica fragmentária e exegese precária, analisam a Revelação à luz de um insight humano. Por vezes, o eixo de sua interpretação é uma passagem bíblica fora do contexto. Muitas veem a razão (dom que Deus deu somente aos humanos) como inimiga da fé. Refugiam-se num misticismo alienante e se tornam guetos religiosos.

Mas igreja é mais que isso. É ter visão do todo. Porque igreja é gente que conheceu a graça de Deus em Jesus, creu nele, comprometeu-se com ele, espera nele. É “gente de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9). Ela transcende épocas, lugares e culturas.

A igreja local deve ser amada e servida. Dezenas de passagens no Novo Testamento (que está sendo esquecido!) ensinam isso. Gente que diz que é de Jesus, mas não gosta de igreja não sabe o que diz. Exagera-se, pondo-se acima dos demais. Mas, como se diz: não está com essa bola toda. E terá que conviver com a igreja no céu. O que dirá?

A igreja local não precisa de apedrejadores, mas de amantes. De servidores. De gente com uma autoimagem menos exagerada que se veja como é: pecadores salvos para servir a Deus e aos demais. Que sejam servos e não estrelas. Vida cristã é operariado, não turismo.

Ser igreja é fantástico. É ser de Jesus, ter rumo na vida e comprometer-se com Deus num projeto histórico. Seja igreja!

A certeza da salvação – A eternidade da obra consumada de Cristo


Pr Luciano R. Peterlevitz – Missão Batista Vida Nova, 11.12.2011

Ev. João 5.24: Em verdade, em verdade vos digo quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

Muita gente tem medo de morrer sem ter pedido perdão a Deus por algum pecado que cometeu. Outros tem medo que Deus os leve de repente, sem estar ‘preparado’. Pois, para essas pessoas, a salvação depende da perseverança e do esforço pessoal. Nessa perspectiva, até o último momento da vida pode-se perder a salvação. Assim, a vida eterna é um tipo de ioiô: vai e volta.

Entretanto, reafirmaremos uma das doutrinas essências do Protestantismo Reformado, a Segurança da Salvação ou Perseverança dos Salvos. A salvação concedida pela graça mediante a fé na obra consumada de Cristo jamais pode ser perdida. Uma vez salvo, para sempre salvo. Pois aquele que crê em Jesus é selado pelo Espírito da promessa, e é guardado eternamente pelo poder de Deus. Os salvos continuarão salvos porque porque a base da salvação é a obra consumada de Cristo.

Principais questões:

1.      Já que sou salvo pela graça mediante a fé, então posso pecar à vontade? Não! Salvação pela graça mediante a fé não significa que temos licença para vivermos uma vida no pecado. Veja Rm 6. Já falamos que o salário do pecado é a morte. Os crentes geralmente não conseguem entender a Perseverança dos Salvos porque não distinguem entre salvação/justificação pela graça e santificação. Confundem a salvação com o resultado da salvação.

2.      E aqueles que se ‘desviaram’? Continuam salvos? “Saíram dos nossos, porque não eram dos nossos” IJo 2.19. Se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco. Ou seja, a perseverança não é a causa da salvação, mas o resultado dela. O grande problema é que tem muita gente não convertida, nas igrejas. Isso me faz lembrar uma estória. Certa vez, um pastor, após receber o aviso do falecimento de um membro de sua igreja, publicou uma nota no boletim: “Fulano partiu para o céu às 03h da madrugada.” No dia seguinte, o pastor recebe uma mensagem do céu: “Fulano ainda não chegou aqui. Aguardamo-lo com grande expectativa. Céu, 08h da noite.”

  1. E os crentes que fracassam na vida cristã? Sim, o crente está sujeito à tentação e ao fracasso. Os grandes personagens bíblicos fracassaram. Mas a graça e poder de Deus os capacitaram a se erguer.

Somos salvos pela graça de Deus mediante a fé. Não vem de nós. Isso significa afirmar que a salvação não depende dos nossos méritos pessoais, mas dependente unicamente da obra consumada de Cristo na cruz. Acreditar que nossa obediência é o que garante a salvação eterna é a mesma coisa que afirmar que conquistamos nossa salvação pela obediência.

1. A salvação eterna foi prometida pelo próprio Jesus

Jo 3.15: “para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna”.

Jo 3.36: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna…”

Jo 10:27-29: “Eu lhes dou a vida eterna – jamais perecerão eternamente -ninguém as arrebatará da minha mão – da mão do Pai ninguém pode arrebatar.

Jo 11:25,26: “Quem crê em mim, ainda que morra viverá ; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente.”

A Bíblia diz que aquele que crê no Filho Unigênito tem a vida eterna. Não se trata, portanto, de uma vida ‘quase’ eterna ou temporária.

2. A salvação eterna foi consumada através da morte de Jesus

“Está consumado”, disse Jesus (Jo 19.30). Toda a nossa dívida com Deus foi paga pela morte de Jesus.

Um dos grandes dos problemas da crença na perda da salvação é a incompreensão do que seja pecado. É que, para essa linha de pensamento, existem pecados mais sérios (que fazem com que percamos a salvação) e pecados menos sérios (que não causam necessariamente a perda da salvação).

Mas a Bíblia diz que pecado é pecado. Não existe diferença entre ‘pecadinho’ e ‘pecadão’. É bom que se diferencie: pecado e pecados. O pecado: ‘pecado original’ (Gn 3), que todos nós incorremos em Adão. Pecados: atitudes que afrontam a santidade de Deus; são resultados de nossa natureza pecaminosa. Entretanto, todo pecado resulta na morte eterna.

Todo pecado é contra Deus (Sl 51.4).  Todo pecado fere a santidade de Deus, e só pode ser tratado com a penalidade eterna, a morte.

Mas quando cremos em Jesus, somos perdoados por Deus. Muitos perguntam: ‘será que Deus perdoa mesmo’. No entanto, a Escritura diz que Deus é fiel e justo para perdoar os nossos pecados: 1Jo 1.9. Quando cremos em Jesus, somos perdoados. Normalmente temos dificuldade em aceitar que Deus perdoa todos e tudo porque na verdade nós temos problema de perdoar todos e tudo.

3. A salvação eterna é preservada em nós pela ação do Espírito Santo em nós

Quando cremos em Jesus, somos selados pelo Espírito Santo da promessa: Ef 1.13.

Jo 10:27-29 – “Eu lhes dou a vida eterna – jamais perecerão eternamente -ninguém as arrebatará da minha mão – da mão do Pai ninguém pode arrebatar.

Somos guardados pelo poder de Deus: 1Pe 1.3-5. Alguém já disse acertadamente que não é o crente que perde a salvação, é o Salvador que não perde o crente.

Não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus: Rm 8.1. O Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus.

Quando cremos em Jesus, tornamo-nos filhos de Deus. Ninguém pode deixar de ser filho.

O Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Nesse ponto entende-se a extrema relevância da doutrina da Perseverança dos Salvos para a vida cotidiana do crente. Pois a certeza de que somos filhos de Deus move a oração (Rm 8.14-17). Éramos filhos da ira, mas fomos adotados pelo Pai celestial. Somos filhos de Deus. Somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. Recebemos o espírito de adoção, baseados no qual podemos clamar Aba, Pai. Nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus: Rm 8.28-39.

Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém.

Pela graça sois salvos, mediante a fé – A fé na obra consumada de Cristo


Pr Luciano R. PeterlevitzMissão Batista Vida Nova, 27.11.2011

Efésios 2.8-9: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.

Introdução

Ef 2.1-10 descreve a trajetória de pessoas que estavam condenadas à morte, mas encontraram a vida eterna em Jesus.

Nossa situação sem Cristo: v.1-3. Corresponde a Rm 1.18-3.20. Estávamos mortos em nossos pecados e delitos; andávamos segundo o curso mundo (escravos de um sistema); andávamos segundo o príncipe da potestade do ar (escravos de Satanás); andávamos segundo nossa carne (escravos de nós mesmos); éramos por natureza filhos da ira.

A intervenção de Deus em nossa situação: v.4-10. “Mas Deus, que é rico em misericórdia” (v.4). Do sepulcro, fomos elevados aos lugares celestiais juntamente com Cristo. Deus manifestou sua “misericórdia”, seu “grande amor para conosco” (v.4), “a suprema riqueza de sua graça”, a “bondade para conosco” (v.7).

Então surge a declaração do v.8: “Pela graça sois salvos, mediante a fé”. Essa declaração pode mudar o rumo de sua vida.

Pela graça

A graça é o favor imerecido. Isso obviamente contradiz o censo comum.

Desde pequenos, aprendemos que, para alcançar nossos objetivos, precisamos fazer por merecer. Somos avaliados o tempo todo: pelos pais, pelo chefe, pelo pastor, pela professora… Por exemplo: uma criança merece o presente de natal se obedece ao papai e à mamãe.

O problema é quando as categorias de mérito e demérito são aplicadas à salvação. Veja. A Bíblia diz que pecadores podem ir ao céu e que religiosos e bonzinhos podem ir ao inferno. Isso contraria o senso comum, que diz que pecadores merecem o inferno e que religiosos e bonzinhos merecem o céu. O censo comum constrói suas afirmações por critérios de méritos e deméritos fundamentados naquilo que o ser humano faz ou deixa de fazer. Mas a graça inverte esses critérios. Na graça, aquele que não merece, recebe imerecidamente o dom gratuito, sem fazer por merecer.

Alguém diria que a graça é injusta. De modo algum. Veja Rm 3.21-26. Deus disse que o salário do pecado é a morte, e Ele mesmo pagou esse salário para nos salvar, através da morte de Jesus. Então, Aquele que oferece gratuitamente a salvação, já pagou o preço que Ele mesmo estipulara à salvação. Por isso, Deus é justo e justificador daquele que crê em Jesus.

A morte de Jesus na cruz é a maior prova do amor de Deus para conosco. Mas a morte de Jesus também é a maior prova de sua justiça. Deus abomina o pecado. Pois na cruz manifesta-se o amor de Deus, mas também a sua ira. Na cruz há um brado de morte.

Na verdade, Deus é mais rigoroso do que o senso comum. Porque, segundo as Escrituras, Deus não hesita em mandar para o inferno tanto o pecador quanto o moralista/religioso que não confiam na suficiência da obra de Cristo. Deus é rigoroso, porque exige um único e caro pagamento: a morte. Isso Jesus já resolveu por nós.

Há ainda outro ponto, que também demonstra que Deus é mais rigoroso do que senso comum imagina. Porque o que Ele exige para alguém estar em Sua presença não é nada mais do que a perfeição. Essa perfeição, aliás, após a Queda da humanidade (Gn 3) só existe Nele mesmo. Então o Deus justo e justificador coloca sobre nós a perfeita justiça de Cristo, permitindo que tenhamos acesso a Ele. Essa é a justiça mencionada no livro de Romanos. De fato a justiça de Deus se revela no evangelho (Rm 1.17).

Mas, por outro lado, ser salvo é mais fácil do que a gente imagina. Mas como? Deus exige a perfeição Dele mesmo para estarmos diante Dele. Então, o dom gratuito de Deus é fácil de receber? A Bíblia responde: basta crer! A graça só é compreendida pela fé. “Pela graça sois salvos, mediante a fé”.

Mediante a

A incredulidade é o pecado capital. De acordo com o Evangelho de João, pecado é não crer em Jesus: Jo 16.8-9. Nesse sentido, pecado não somente significa transgredir a lei, mas também transgredir a graça.

Mas, o que significa crer em Jesus? A salvação “não vem de vós; é dom de Deus”. A fé não é fundamento da nossa salvação. A graça de Deus o é. “Sois salvos pela graça”, diz o texto. O perigo então é tornar a fé como mérito para a salvação. Assim a salvação seria a recompensa da nossa fé.

Veja, por exemplo, a frase: “Aceite Jesus”. A pergunta, “o que devo fazer para ser salvo?”, normalmente é seguida pela resposta “aceitar Jesus”. O problema, tanto da pergunta quanto da resposta, é a tendência de interpretar a salvação a ser conquista por algo que tenho de fazer, enquanto a fé em Jesus, de acordo com as Escrituras, implica muito mais num caráter passivo do que ativo. A Bíblia diz que os filhos de Deus são aqueles que recebem Jesus (Jo 1.12). Recebemos o dom gratuito, a obra consumada de Cristo, pela fé. A obra de Cristo já está pronta, consumada.

Aqui cabe uma boa definição de Francis Shaeffer: a fé é mão vazia, é o instrumento pelo qual recebemos o dom gratuito de Deus.  Crer é confiar plenamente na suficiência da obra consumada de Cristo.

Então, Deus é mais bondoso do que a gente imagina. O senso comum diz: tudo o que tem muito valor, é difícil de ser conseguido. Afinal, as coisas boas não ‘caem do céu’. Mas Deus olha para um ladrão arrependido, e diz: “Você está perdoado”. Por outro lado, como vimos, Deus é mais rigoroso do que a gente imagina. Ele olha para alguém que fez tudo certinho na vida, mas não creu em Jesus, e diz: “Você está condenado”. Veja Jo 3.16-18.

No final, muitos dirão: “mas se fosse só isso, então eu teria feito!”. Então Deus responderá: “mas você não deveria ter feito; deveria ter crido.”

Portanto, o simples ato de crer é mais difícil do que a tentativa de se salvar pelas obras. Pois crer significa despojar-se de si mesmo, dos seus méritos pessoais. Um dos nossos grandes problemas é que sempre queremos dar um jeitinho para tudo. Mas, ao que diz respeito à salvação, precisamos crer que Deus já resolveu tudo através da morte de Jesus.

“Pela graça sois salvos”. O verbo salvos, segundo John Stott, enfatiza as consequências permanentes de uma ação de Deus no passado, e pode ser traduzido da seguinte forma: “Sois pessoas que fostes salvas e que permaneceis salvas para sempre.” Alguém pode perguntar: como isso é possível? E a Bíblia responde: creia, simplesmente.

Conclusão

Um artista retratou o rosto de certo homem. O homem retrato disse: ‘no futuro, quando olharem este quadro, as pessoas se lembrarão mais do artista do que de mim’. Assim, nós também somos feituras de Deus, criados em Cristo Jesus (Ef 2.10). Não receberemos um troféu. Nós somos o troféu. Somos a pintura da graça de Deus. Somos amostras daquilo que Deus pode fazer com alguém que simplesmente crê.

Se a morte manifestada no mundo testemunha a ira de Deus e o estado caótico da humanidade, por outro lado, existe a possbilidade de a vida abundante se manifestar em nós. Basta crer.

Aquela voz que disse “Lázaro, sai para fora” ecoou em nossos ouvidos. E saímos do sepulcro mortal para vivermos nos lugares celestiais juntamente com Cristo. Mas, para isso aconteça em sua vida, a única pergunta que o Senhor faz é: ‘você crê que eu posso tirar você do túmulo?’.

O Deus de

O Deus de – Ex 3: 1-16

Pr. Luciano R. Peterlevitz – Culto 06/11/2011

Download

___________________________________________________________________


Êxodo 3 é um texto que descreve a auto-apresentação de Deus para Moisés. Mas como Ele se apresenta? Ora, Deus é o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó, o Deus do pai de Moisés, o Deus de Moisés. Deus é o Deus dos hebreus. Deus é o Deus de. Vejamos.

O Deus de: é o Deus que se vincula a alguém (v.1-6)

V.1: “monte de Deus, o Horebe”. O Horebe é outro nome do Sinai. No Antigo Testamento Deus se manifesta no monte Sinai: Ex 19-20 (dez mandamentos); 1Rs 19 (lugar de refúgio de Elias na hora da perseguição). Deus manifesta-se num lugar santo, na sarça ardente. Mas a ação do Senhor não se restringe a esse lugar. Pois Deus não se vincula a um lugar; Ele se vincula às pessoas.

Deus é o Deus que caminha com as pessoas

Deus está no meio da sarça ardente, mas ao mesmo tempo Ele está com as pessoas. Ele é o “Deus do teu pai”; é o Deus de Abraão, o Deus de Isaque; é o Deus de Jacó (v.6). O texto destaca a dinamicidade de Deus; Ele viaja com seu clã. Deus está com um grupo. Veja Gn 12-25.  Deus esteve com Abraão com ele saiu de Harã rumo à terra prometida.

Veja Gn 28.10-22 / compare com Gn 35.1-4. Deus esteve com Jacó quando ele saiu da terra prometida, e foi a Mesopotâmia, fugindo do seu irmão; Deus esteve com Jacó com ele saiu da Mesopotâmia e retornou à terra prometida. O Deus de Jacó é o Deus de. É o Deus que caminha com as pessoas.

Deus é o Deus que se revela pessoalmente a cada um

Deus não se revela a uma multidão. Ele se revela a alguém, pessoalmente. Deus chama as pessoas pelo nome, e se revela a cada de forma diferente. Por isso Ele é o Deus de Abraão; o Deus de Isaque; o Deus de Jacó; o Deus de Moisés; o Deus do pai de Moisés.

Assim, surge a inevitável pergunta: cada um de nós temos, pessoalmente, um relacionamento com Deus?

O Deus de: é o Deus que se auto-limita por amor

Deus é Poderoso. Mas Ele se auto-limita. Ele se identifica com as pessoas. Ele é o Deus do teu pai; o Deus de Abrão, Isaque, o Deus de Jacó. Deus não se envergonha de ser chamado o Deus dessa gente (Hb 11.16).

Existe uma maneira de Deus se apresentar: ele pode se manifestar como o Deus criador dos céus e da terra. Mas aqui em Êxodo 3 Ele se apresenta como o Deus de. É o Deus dos hebreus, dos escravos (3.18). Deus se auto-denomina como o Deus dos escravos! Quer maior auto-limitação do que essa? Ele é o Deus que se identifica com os escravos para libertar os escravos. No livro do Êxodo, Deus sempre se apresenta como “Eu sou o Senhor que te liberta” (veja 6.6; 20.2).

O Deus a-histórico entra na história, e participa da história daquela gente oprimida. Ao entrar na história, Deus se auto-limita. Só um Deus como o nosso Deus pode limitar-se, e continuar sendo o Deus Poderoso. Isso se evidencia nos v.7-22. O Deus de é o Deus que desce (v.7-22)

No v.7 há duas frases.

Realmente eu vi[1] a opressão[2] do meu povo que (está) no Egito,

e o clamor[3] deles eu ouvi diante das faces[4] dos seus opressores.

Na primeira frase destaca-se a expressão “realmente eu vi”, literalmente “ ver eu vi”. Deus vê cuidadosamente a “opressão”. É um ver que participa daquilo que vê. É um ver intenso, exato. Este é o ver de Deus. A ‘opressão’ é o rebaixamento físico, humilhação.  Este termo está relacionado aos “oprimidos”, “pobres”, tão defendidos pelos profetas (veja por exemplo Am 2,6-8; Is 3,13-15!), pela lei (veja Êx 22,20 até 23,1-9). Deus é o Deus que contempla essa gente e participa das dores dessa gente.

Na segunda frase do v.7, o destaque é o “clamor”. Os escravos estão gritando “diante das faces dos seus opressores”, mas quem ouve os seus gritos é Senhor. Portanto, o “clamor” não é um grito passivo, incapaz de produzir efeito, antes, é um som ativo, que percorre um caminho bem especifico: um caminho que leva à libertação.

No v.8 há o detalhamento do ‘ver’ do v.7:

Eu desci para livrá-lo da mão do Egito,

e fazê-lo subir desta terra para a terra boa e vasta…

Há, no v.8, dois verbos: “descer” e “subir”. “Eu desci”, diz o Senhor. No caso, o Senhor desceu à terra da escravidão. O segundo verbo alude a Israel. Os escravos sobem para a terra boa e vasta porque Deus desceu para a terra da opressão.

Ou seja, o Senhor vai onde o povo oprimido está. Essa linguagem teológica aproxima-se da última afirmativa de 2,25: “conheceu/experimento Deus (os sofrimentos dos hebreus)”.

Deus desce à opressão; os escravos sobem à terra da promessa. Isso é um anúncio da cruz. É uma antecipação do que Cristo faria. Pois Cristo desceu à opressão, tomou nossas dores, participou dos nossos sofrimentos, para fazer-nos subir aos lugares celestiais. Veja Ef 1.3.

No v.9 a direção é invertida. Se no v.8 Deus ‘desceu’, agora é o ‘clamor’ que sobe a Deus:

E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel veio para mim,

e especialmente[5] eu vi a opressão com que os egípcios os estão oprimindo.

O ‘clamor’ sobe a Deus e então Ele passa a ‘ver’. Portanto, o Deus de é o Deus que desce. E o clamor sobe! É um povo que clama, e quer ser ouvido. É o Deus que ouve, desce e vê, porque decide-se ouvir, descer e ver. Deus quer ouvir. O povo quer ser ouvido. Essa é a reciprocidade da oração.

É nesse cenário que Deus revela seu o nome (v.13-14). Ele é o “Eu sou o que Sou”, ou melhor, Ele é  o Deus que acontece e que faz a história acontecer. É o Deus que age na história dos escravos e liberta-os da escravidão. Esse é o sentido do nome sagrado nesses v.13-14.

Nos v.15-16 o nome e a ação de Deus são melhor explicados:

15 E continuou falando Deus para Moisés:

Assim dirás para aos filhos de Israel:

Javé, o Deus dos vossos pais,

o Deus de Abraão, Deus de Isaque,

e o Deus de Jacó

enviou-me para vós.

Este é o meu nome para sempre,

e este é o meu memorial de geração em geração.

16 Vá e reúna os anciãos de Israel,

E dirás para eles:

Javé, o Deus dos vossos pais, apareceu[6] para mim,

o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó,

Dizendo:

Realmente vos visitei

e (tenho) agido[7] para vós (a favor de vós) no Egito.

Deus é “o Deus dos vossos pais”; esse é o seu “nome” (v.15). O Senhor é o Deus de.

Mas, no v.16, Deus se revela mais apropriadamente como o Deus Libertador: “Javé o Deus dos vossos pais apareceu para mim”. Importa que o Deus dos pais apareceu “para mim” (para Moisés).

As duas últimas frases do v.16 são significativas. A primeira frase: “realmente vos visitei”. O verbo ‘visitar’ lembra a ação do ‘Deus dos pais’ (Veja Gn 21!). Mas a última frase refere-se especificamente o êxodo: “e (tenho) agido para vós (a favor de vós) no Egito”.

Portanto, Deus é o Deus que está na sarça ardente, na ‘terra santa’, mas é principalmente o Deus que está “no Egito”. Ele é o “Deus dos hebreus”, e vai ao encontro dos hebreus (veja Êx 3.18!). Assim, Deus é o ‘Deus de’.

No dizer de Jünger Moltmann, teólogo, ex-soldado e ex-prisioneiro da Segunda Guerra Mundial, o Deus cristão é o “Deus crucificado”. A teologia de Moltmann é muito interessante. Conhecida como a “teologia da esperança”, surgida a partir de sua experiência dolorosa de Moltmann como prisioneiro de guerra num campo de concentração na Inglaterra.  Um repórter da revista Cristianismo Hoje perguntou ao teólogo: O senhor descobriu Cristo durante a última guerra. Em geral se consideram as experiências do mal como causas de afastamento de Deus. De que modo tais realidades podem aproximar-nos dele?

Resposta:

Aos 16 anos eu queria estudar matemática e a religião era muito distante dolaicismode minha casa. Em 1943 me alistei como soldado, e sobrevivi à tempestade que destruiu Hamburgo com 40.000 mortos. Quando o amigo junto a mim foi dilacerado por uma bomba, por primeira vez clamei a Deus...

Uma das grandes questões para Moltmann não é “como falar de Deus após Auschwitz?”, mas “como não falar de Deus após Auschwitz?” (Auschwitz foi um campo de concentração ao sul da Polônia durante a segunda guerra mundial; estima-se que um milhão e meio de pessoas tenham morrido ali, principalmente judeus e ciganos). Para Moltmann, falar de Deus depois de Auschwitz foi fundamental, pois a esperança em Deus foi a única coisa que o capacitou a vencer os tormentos de um campo de concentração. Afinal, são os tormentos que nos levam a gritar por Deus.

Moltmann menciona a novela Demônios, de Dostoiévski, para afirmar que um Deus que não pode sofrer é mais desgraçado do que qualquer homem. Em El Dios crucificado, o teólogo afirma que um Deus que não pode chorar é porque não tem lágrimas; e um Deus que não pode sofrer, também não pode amar. Esse Deus é o Deus de Aristóteles, o Motor Imóvel, mas não é o Deus de Jesus Cristo.

Moltmann relata sua experiência no campo de concentração foi decisiva para sua compreensão de Deus:

Ali li a Bíblia pela primeira vez. E me chegou a leitura dos salmos de lamentação. Li o Evangelho de Marcos e me encontrei com o grito de Jesus: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”. Soube prontamente:Aí há alguém que te compreende porque passou pela mesma situação sua e ainda pior. E quando, lentamente, fui entendo isso, pude exclamar em meu coração: Senhor meu e Deus meu” E por isso creio no Deus que compartilha nossa dor e sofre por nós e, desta maneira, nos dá nova certeza para viver…

Uma das grandes questões da teologia de Moltmann é: onde estava Deus, nos episódios de Auschwitz? Onde estava Deus quando os inocentes foram arrancados de suas casas, violentados, acorrentados, torturados e jogados naquele lugar frio, passando sede e fome? A essa pergunta, só existe uma única resposta: Deus estava lá, sofrendo com aquelas pessoas. Um Deus impassível se tornaria um demônio. “É Deus em Auschiwitz e Auschiwitz em Deus crucificado”, diz Moltmann.

Só assim o Deus cristão pode ser compreendido. Deus é o Deus de Abraão, Deus de Isaque; o Deus de Jacó; o Deus de Moisés; o Deus do pai de Moisés; o Deus dos hebreus; o Deus de Auschiwitz.


[1] Literalmente: “ ver eu vi”, tradução do verbo ra’ah no infinitivo absoluto, seguido pelo mesmo verbo conjugado na primeira pessoa do singular.

[2] Hebraico ’ani: opressão, aflição.

[3] Hebraico se‘aqah: clamor, grito de socorro.

[4] Hebraico mippene: diante das faces.

[5] Hebraico gam: também; até. Mas pode significar “em especial”.

[6] Hebraico ra’ah: “olhar”, no nifal perfeito.

[7] Hebraico ‘asah: verbo qal participativo passivo masculino singular.

Roupas Novas

Clique no “play” para ouvir online ou faça o download para ouvir em seu computador ou copiar para seu celular/mp3 player.
___________________________________________________________________


Pr Luciano R. Peterlevitz – Missão Batista Vida Nova, 09.10.2011

Leia Ef 4.17-24

Introdução

Qual é a ‘roupa’ apropriada para o ser humano? O próprio Cristo!

O que é santificação? É preciso entender a santificação em sua essência. Por que normalmente discutem-se coisas que essencialmente não tem haver com santificação (normalmente a santidade é interpretada em termos isolacionistas: ser santo é separar de pessoas ‘impuras’ e tudo o que existe de ‘impuro’ no mundo).

Santificação: o processo pelo qual nos tornamos parecidos com Jesus.  A velha roupagem (velha natureza) vai sendo despida e uma nova roupagem (nova natureza) vai sendo implantada.

A velha roupagem: v.17-20

Os ‘gentios’ estão num estado de corrupção:  ‘pensamentos’ e ‘entendimento’ corrompidos; vivem na ignorância pela ‘dureza do seu coração’; tornaram ‘insensíveis’, por isso, tem o desejo cada vez mais alimentado pela ‘impureza’ (desejos de uma vida devassa).

Nesse estado, o ser humano não é ser humano. É bicho, ou até pior do que os bichos.

‘Insensíveis’ (v.19): incapacidade de sentir dor. A insensibilidade amortece a consciência, e impede que sintamos as dores do pecado.

A insensibilidade faz o ser humano fazer coisas horríveis sem perceber que são horríveis.

A nova roupagem: v.20-24

A nova roupagem começa a ser implantada em nós quando a insensibilização é vencida.

O cristão em processo de santificação pode até pecar. Mas não consegue conviver com o pecado, a não ser que esteja imerso na dureza e insensibilidade dos gentios. Ver 1Jo 1.8-10.

V.20: “Não aprendestes assim a Cristo”. Não é aprender sobre Cristo. É aprender a Cristo. Veja o v.21. Ouvimos dele (Cristo) e fomos instruídos nele. Jesus é o Mestre e o conteúdo do ensino.

V.21-22: a nova roupagem. A nova humanidade recriada à imagem e semelhança de Deus.

Uma imagem da nova roupagem é muito bem descrita em Ef 4.25-5.2. Como cristãos, todos nós estamos sujeitos a esses pecados. Mas o problema é quando nos acostumamos a eles.

Sl 32: exemplo de um homem piedoso que não conseguia conviver com o pecado.

Outra coisa: o ‘despojar’ do velho homem e o ‘revestir-se’ do novo homem é algo já consumado no passado, no momento de nossa conversão. Já temos as roupas novas. Mas o ‘renovar’ a mente é algo que acontece num presente constante. A santidade é o processo pelo qual nos apropriamos diariamente da roupagem que recebemos no momento da conversão.

Você já recebeu as roupas novas. Que tal vesti-las?

Conclusão

A santificação evoca um novo andar: não se trata de ‘andar’ como os gentios (4,17), mas se trata de ‘andar em amor’ (5,2). Ser santo não é ser esquisito. Ser santo é ser como Cristo.

Veja Fl 4.8-9.

Deus tem uma roupa nova para você, superior a todas as marcas e grifes.  Pois essa roupa é o próprio Cristo.