O Deus transcendente e Imanente2

O Deus transcendente e Imanente

Pr Luciano R. Peterlevitz – Missão Batista Vida Nova, 12/09/2010

Salmo 8 e Hebreus 2.5-10

Introdução

Quero convidá-los a refletir no Deus transcendente e imanente. Isso significa afirmar que o Deus de toda a glória compartilha sua glória conosco, através de Cristo Jesus.

1. O Deus que compartilha sua glória: Salmo 8

Comecemos com o Salmo 8. O Senhor colocou sua glória nos céus (v.1). O brado de louvor do v.1a é repetido no v.9: Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Este brado é um estribilho, que repete a idéia principal do cântico.

A grandeza de Deus revelada na natureza leva o salmista a refletir na pequenez do ser humano (v.3-4). Mas, apesar de sua pequenez, o homem foi coroado “de glória e honra”. Foi criado “um pouco menor do que os anjos” (ou, literalmente, um pouco menor do que Deus – “Deus”: elohim, parece referir-se aos anjos).

A glória de Deus se manifesta nos céus (Sl 19). Mas a glória de Deus também se manifesta em nós e através de nós. Deus se revela através dos céus. Mas é fantástico saber que Deus não satisfaz em reservar sua glória somente aos céus. Pois Ele compartilha sua glória conosco! Deus é grande. Mas se revela entre os pequenos. Ele é magnífico (v.1), mas é a partir dos louvores dos pequenos que Ele destrói os inimigos (v.2; cf. Mt 21.16).

Encontramos aqui dois conceitos teológicos relacionados à Pessoa de Deus: sua transcendência e sua imanência. Transcendência: Deus está acima da criação. Imanência: Deus se manifesta na criação. Esses dois conceitos não são contraditórios, mas complementares. O enfoque desproporcional em um dos dois pode arruinar a espiritualidade cristã. A heresia surge quando se enfatiza um aspecto da Pessoa de Deus em detrimento do outro. Isso ocorreu com a Pessoa de Cristo. Houve um grupo religioso que negou a divindade de Cristo (arianismo). E houve outro grupo que negou a humanidade de Cristo (docetismo).

Uma ênfase exagerada na transcendência expulsa Deus de nossa realidade.

Uma ênfase exagerada na imanência ignora o poder de Deus, igualando-o à criatura.

A tradução da palavra hebraica kabod é glória, peso. Brennan Manning lembra-nos que muitos “salmos referem-se a kabod como um força invencível e uma realidade esmagadora, mas também falam de abrigo e proteção para os que confiam em Javé (Sl 11, 16, 36).” Pensemos, então, como nosso Deus é grande, como Ele se distancia de nós, mas, simultaneamente, como Ele se faz presente entre nós.

Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! A grandeza do Universo revela a grandeza de Deus. Vejamos.

Além do Sol, a estrela mais próxima da terra está a 4,3 anos-luz de distância.  A luz viaja a 299.727 Km por segundo. Um exemplo ajuda-nos a entender quão rápido a luz viaja. O Sol está a 149.637.000 Km da Terra. Se você viajar a jato para o Sol, sem parar, você chegará lá em aproximadamente 21 anos. Mas essa mesma distância é percorrida pela luz em apenas oito minutos e vinte segundos.

Pois bem. Para você chegar à estrela mais próxima da terra, viajando de avião, você levaria aproximadamente uns cinqüenta e um bilhões de anos! Contudo, a luz dessa estrela viaja para a Terra em apenas 4,3 anos!

Consideremos um pouco mais. A maioria das estrelas que vemos à noite a olho nu está de cem a mil anos-luz de distância. Mas algumas delas estão a quatro mil anos-luz. Isso significa que a luz dessas estrelas foi lançada antes de Moisés existir, e ela chegou somente agora para nós, viajando a uma velocidade de 299.727 Km por segundo!

Existem bilhões de estrelas. Isso só no nosso Universo. Mas os cientistas afirmam que existem bilhões de galáxias, cada uma contendo bilhões de estrelas.

O The Guinness Book of World Records afirma que o mais remoto objeto já visto pelo homem parece estar a mais de 13,2 bilhões de anos-luz de distância.

Tudo isso é fantástico! Quão grande é o Universo! Mas, o mais fantástico é a afirmação do salmista, quando ele diz que Deus “Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome.”. E exclama: “Grande é o Senhor nosso, e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir (Sl 147.4, 5).

Mais fantástico do que a grandeza do Universo, é a grandeza do nosso Deus. Sobre isso, Salomão disse: “Mas, de fato habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus, não te podem conter…” (1Rs 8:27). Mas, mais fantástico do que a grandeza do nosso Deus é modo como Ele compartilha sua glória conosco. Ele nos corou de glória e honra! Ele se faz presente no nosso mundo e em nossos pequenos mundos.

A glória de Deus se manifesta numa estrela que está a 400 trilhões de quilômetros de onde nos encontramos. Mas a glória de Deus também se manifesta exatamente onde nos encontramos. A glória de Deus é grande o suficiente para não caber no mais vasto céu estrelado. A presença de Deus é infinitamente incompreensível. Mas a presença de Deus se torna finita quando se temporaliza entre nós.

Tudo isso é bem melhor compreendido através de Jesus.

O Deus que revela sua glória através de Jesus: Hb 2.5-10

A imanência e a transcendência de Deus são mais bem compreendidas através de Jesus Cristo. Por isso, é importante lermos o Sl 5.4-6 à luz de Hb 2.5-10.

Jesus é apresentado da seguinte maneira em Hebreus:

1)      Deus coroou Jesus de honra e glória. Cristo é a expressão exata de Deus. Ele é superior aos anjos: Hb 1.

2)      Ao mesmo tempo em que o Filho viveu a glória, também experimentou a morte (Hb 2.9, 14). Nesse sentido, por pouco tempo Cristo foi feito “menor do que os anjos” (v.9).

3)      Cristo compartilha a glória de Deus conosco, e também compartilha do nosso sofrimento. Por isso nos chama de irmãos: Hb 2.11.

Dito de outro modo: Jesus é superior (Hb 1) > Jesus é pouco menor (2.9) > Jesus é “semelhante” (2.17).

Desse modo, Jesus é a lente através da qual contemplamos Deus. É imprescindível entender Deus a partir de Jesus. Ou seja, todo o nosso conhecimento de Deus surge a partir do nosso conhecimento de Cristo. Quem vê o Filho vê o Pai. Não podemos afirmar qualquer coisa sobre Jesus simplesmente tendo por fundamento nosso conhecimento de Deus, mas para afirmarmos qualquer coisa sobre Deus é preciso ter Cristo por fundamento. Na face sofrida do Nazareno contemplamos a face gloriosa do Pai. Na imanência do Deus Conosco contemplamos a transcendência do Deus Criador dos céus e da terra.

Isso explica porque o Deus-Homem que viveu nesta terra há mais de dois mil anos é a personagem mais conhecida da história. John Lennon afirmava, em 1960, que num período de dez anos os Beatles se tornariam mais famosos do que Jesus Cristo. A profecia era falsa. Alguém afirmou que a relevância de Jesus até os dias de hoje se fundamenta em sua capacidade de tocar, curar e restaurar as pessoas.

Para Agostinho, o Deus imanente e transcendente é “mais íntimo que o mais profundo do meu ser e mais elevado que o meu ponto mais alto”. Em Cristo, Deus está mais próximo de mim do que eu de mim mesmo.

Conclusão

Será que somos somente criaturas minúsculas, perdidas em meio a bilhões de outras galáxias? Será que todo o Universo veio de um caos originário? Seriamos obras do acaso?

A Bíblia diz que viemos do pó. A ciência afirma que somos pó de estrelas. É incrível saber que o Deus que criou todas as estrelas, que chama cada uma delas pelo nome, tornou-se pó das estrelas através de Jesus. E tudo isso porque nos ama. E tudo isso para mostrar que, a despeito de sua grandeza, Ele está perto de cada um de nós.

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